Lead with a smile

Há muitas formas de “liderar com um sorriso”: Por exemplo, quando vamos buscar o cavalo para trabalhar com ele, é aconselhável termos um sorriso no rosto. Para conseguir desenvolver um bom treino, temos que estar “no momento”, contentes de estar onde estamos e deixar as preocupações do dia-a-dia para trás. Se não estamos a sorrir, provavelmente falta uma destas componentes e convêm tentar criar as melhores condições possíveis para o treino, mesmo se isso começa com um aspecto que pode parecer ligeiramente caricato como forçar um sorriso.

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Também há um sentido mais técnico da expressão “lead with a smile”, que pode ser usado para descrever o “sorriso” que uma corda bamba faz. Vejo muitos cavaleiros a segurar a corda logo abaixo do cabeção, exercendo sempre alguma pressão na cabeça do cavalo. Isso não só é incomodativo para o cavalo (experimente ser levado à mão por alguém que esta constantemente a fazer pressão para que fique ao lado dele) como é uma falta de confiança na obediência do animal. A corda devia ter sempre alguma folga, fazendo o tal sorriso, excepto nas poucas situações onde o cavalo não acompanha exatamente os nossos passos. Se isso não acontece, é uma questão de treino – nosso e deles.

E finalmente há um sentido mais simbólico: gosto de ser o líder dos meus cavalos com um sorriso em vez de com a mão dura e com equipamento para controlo físico do animal. Não há sensações muito melhores do que ter um cavalo a seguir-nos para todo o lado por vontade dele, porque quer estar connosco. Se calhar a única experiência melhor ainda é montar um cavalo sem cabeçada e conseguir fazer tudo o que queremos. Para mim, isso também é liderar com sorriso.

Quem quiser aprender mais sobre cada um desses significados, pode vir ter comigo a Cascais ou Odemira – para umas lições em “Natural Horsemanship“. Nunca gostei muito dessa expressão, e menos ainda da tradução portuguesa “Equitação Natural”. Porque afinal, o que é que tem de natural esta ideia de nos sentarmos às costas de um animal de 500 kg com forte instinto de fuga e queremos ser nós a decidir a direção e a velocidade?

Mas, independentemente do nome que damos à coisa, acredito fielmente em criar uma relação harmoniosa entre cavalo e pessoa e para isso acontecer, temos que aprender a ler e adaptar-nos à linguagem dos cavalos. É afinal disso que se trata quando falamos de “Natural Horsemanship“.

Procurar o erro em nós

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Quando tinha só um cavalo, cheguei à conclusão que o lado esquerdo dele era o lado mau dele: Não encurvava tão bem o pescoço, nem dobrava o corpo em círculo e também se colocava menos bem para a esquerda. À medida que fui tendo mais cavalos, e para minha surpresa, todos tinham o lado mau à esquerda. É natural os cavalos terem um lado mais flexível do que outro, mas todos para a esquerda? Tendo chegado ao quarto cavalo (com lado mau sendo a esquerda), fiz o cálculo da probabilidade disso acontecer: 6,25%. Hm…. afinal o lado mau se calhar era o meu?

Outra questão: se por exemplo o meu cavalo fica sempre nervoso ao passar num local específico, não adianta absolutamente nada ficar nervosa também ou frustrada ou irritada. Todas essas emoções só podem piorar a situação e de certeza não ajudam. Há alguns anos, foi feito um estudo na Suécia, onde mediam os batimentos cardíacos dos cavaleiros e dos cavalos ao passarem a passo dum ponto para outro. A seguir, foi dito aos cavaleiros que um assistente iria abrir um guarda-chuva de repente a meio do caminho. Os batimentos cardíacos dos cavaleiros aceleraram ao chegar a esse ponto, e embora o guarda-chuva nunca tivesse sido aberto, os batimentos cardíacos dos cavalos também aceleraram. Os cavalos são mais influenciados pelas nossas emoções do que pelo que se passa à sua volta?

Aprendi com os humanos que nunca é possível mudar a outra pessoa diretamente. Mesmo se quero mudar o outro, tenho que começar comigo, com a minha comunicação, o meu comportamento. Isso sim, pode influenciar o outro e levá-lo a mudar. Mas o ponto de partida tem que ser em mim. Com os cavalos é parecido: para mudar qualquer coisa no meu cavalo, tenho que pensar o que posso fazer para lhe ajudar. Se o cavalo está nervoso, tenho que ver se não sou eu que já estou a antecipar o problema e devo procurar transmitir calma. Se o cavalo está menos flexível para um lado, tenho que ver se o problema não parte de mim e pensar o que posso fazer para me ginasticar melhor para esse lado. Em todas as situações onde o meu cavalo não responde como eu quero, tenho que procurar primeiro se o erro não está em mim e pensar como posso ajuda-lo. Só assim posso conseguir uma parceria harmoniosa com o meu cavalo.

Lições de 2013

1509224_460913840680108_762720488_nVi uma imagem no face que me fez reflectir sobre o ano de 2013, como aliás é apropriado neste dia. Foi um ano de perdas, mas longe de um ano perdido.

2013 foi um ano cheio de azares para mim e os meus cavalos. Um abcesso de casco que nunca mais curava, a manada toda envenenada por tremocilho que se encontrava escondido no feno, um poldro com quistos ósseos foram apenas alguns dos problemas de saúde que tive que enfrentar no início do ano. Quando uma das minhas melhores éguas morreu em Maio a parir, pensei ter batido no fundo. Foram semanas muito duras a lutar pela vida do poldrinho, mas ele safou-se. Infelizmente, não era o fundo ainda. Esse só atingi quando a minha poldra mais linda partiu a perna no pasto no início de Julho. As hipóteses de ficar bem eram tão pequenas e o sofrimento tanto que tive que pedir ao meu veterinário para a por a dormir.

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Quando coisas más acontecem, só sentimos dor e perguntamos porquê. Meio ano depois, consigo ver como foram lições. Aprendi tanto neste ano, sobre a gestão dos cavalos e a saúde deles. Tornei me enfermeira e ama. Descobri reservas de força dentro de mim que não imaginava existirem. E a capacidade de tomar decisões nos momentos difíceis. Agradeço as lições e parto para 2014 com mais capacidades.