Procurar o erro em nós

IMG_4028

Quando tinha só um cavalo, cheguei à conclusão que o lado esquerdo dele era o lado mau dele: Não encurvava tão bem o pescoço, nem dobrava o corpo em círculo e também se colocava menos bem para a esquerda. À medida que fui tendo mais cavalos, e para minha surpresa, todos tinham o lado mau à esquerda. É natural os cavalos terem um lado mais flexível do que outro, mas todos para a esquerda? Tendo chegado ao quarto cavalo (com lado mau sendo a esquerda), fiz o cálculo da probabilidade disso acontecer: 6,25%. Hm…. afinal o lado mau se calhar era o meu?

Outra questão: se por exemplo o meu cavalo fica sempre nervoso ao passar num local específico, não adianta absolutamente nada ficar nervosa também ou frustrada ou irritada. Todas essas emoções só podem piorar a situação e de certeza não ajudam. Há alguns anos, foi feito um estudo na Suécia, onde mediam os batimentos cardíacos dos cavaleiros e dos cavalos ao passarem a passo dum ponto para outro. A seguir, foi dito aos cavaleiros que um assistente iria abrir um guarda-chuva de repente a meio do caminho. Os batimentos cardíacos dos cavaleiros aceleraram ao chegar a esse ponto, e embora o guarda-chuva nunca tivesse sido aberto, os batimentos cardíacos dos cavalos também aceleraram. Os cavalos são mais influenciados pelas nossas emoções do que pelo que se passa à sua volta?

Aprendi com os humanos que nunca é possível mudar a outra pessoa diretamente. Mesmo se quero mudar o outro, tenho que começar comigo, com a minha comunicação, o meu comportamento. Isso sim, pode influenciar o outro e levá-lo a mudar. Mas o ponto de partida tem que ser em mim. Com os cavalos é parecido: para mudar qualquer coisa no meu cavalo, tenho que pensar o que posso fazer para lhe ajudar. Se o cavalo está nervoso, tenho que ver se não sou eu que já estou a antecipar o problema e devo procurar transmitir calma. Se o cavalo está menos flexível para um lado, tenho que ver se o problema não parte de mim e pensar o que posso fazer para me ginasticar melhor para esse lado. Em todas as situações onde o meu cavalo não responde como eu quero, tenho que procurar primeiro se o erro não está em mim e pensar como posso ajuda-lo. Só assim posso conseguir uma parceria harmoniosa com o meu cavalo.

Anúncios

2 thoughts on “Procurar o erro em nós

  1. gosto muito deste post 🙂 por isso eu aprendo com os cavalos, ouvindo-os, sentindo o meu e o corpo deles!!!! Por outro lado a falta de confiança é mesmo nossa; eu costumo dizer a 1 cavalo que monto «tens tu mais confiança em mim do que eu em ti» porque estou sempre à espera que se assuste, mas eu é que tou em stress 😉 aprender com os cavalos requer sensibilidade 🙂

    • Manola,
      É uma das coisas que adoro no meu trabalho: o facto que com a atitude certa, nunca vamos parar de aprender coisas novas. Fico feliz a pensar nisso.
      Em termos do nosso stress, descobri que ajuda tentar acalmar-nos conscientemente. Se consegue reduzir os seus sintomas de stress (respiração rápida, batimentos cardíacos), o cavalo vai se sentir melhor.
      Beijinhos,
      Sandra

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s